A Governanta e o Duque
Romance Histórico

A Governanta e o Duque

Magalhães Raul14 min de leitura23 DE AGO. DE 2026

Capítulo Um

A calçada de pedra rangeu sob as botas de Margaret enquanto ela subia os degraus da entrada principal. O casarão de Wenlock Abbey se erguia contra o céu cinzento de Shropshire, com suas janelas altas e estreitas como olhos desconfiados. A campainha de ferro soou por dentro, um som surdo e pesado, e ela esperou com a mala de couro gasta aos pés.

O mordomo que abriu a porta tinha o nariz tão empinado quanto o colarinho engomado.

"A Sra. Margaret Hale, para o cargo de governanta", disse ela, entregando a carta de recomendação. Sua voz saiu mais firme do que ela se sentia.

O mordomo examinou o papel como se lesse uma sentença. "Entre. Sua Graça o Duque está no salão leste. Deseja vê-la antes que os criados a acomodem."

Margaret atravessou o saguão de mármore, seus passos ecoando contra os retratos de antepassados que a observavam de molduras douradas. O salão leste era menor, mas igualmente opressivo: cortinas de veludo carmesim, uma lareira fria, e um homem de pé junto à janela. Ele não se virou de imediato, e ela teve tempo de reparar nos ombros largos sob o casaco escuro, nos cabelos escuros penteados para trás, na mão que segurava um relógio de bolso.

"A Sra. Hale", disse ele sem voltar o rosto. A voz era baixa, com um timbre que parecia ocupar o ar. "É mais jovem do que eu esperava. E viúva, diz a carta."

"Sim, Sua Graça."

Ele se virou. Tinha olhos de um cinza tão claro que pareciam quase prateados na luz da janela. Margaret sustentou o olhar, embora seu estômago se contraísse. Não era um homem feio, longe disso, mas havia algo no ângulo de seu queixo que sugeria uma impaciência habitual.

"Meu irmão mais novo, Lorde Philip, recomendou-a da governanta anterior. Diz que a Sra. Hale é competente, discreta e não se assusta com facilidade." Ele deu um passo em sua direção. "Discreta é o que mais me importa. Tenho uma sobrinha, Lady Amelia, que vive aqui sob minha tutela. O que quer que ouça ou veja nesta casa, não passa dos limites do seu trabalho. Entendido?"

"Entendido, Sua Graça."

Ele a estudou por um longo momento. "O quarto dos criados é no terceiro andar, mas a governanta tem aposentos próprios no corredor oeste, próximo ao berçário. A Srta. Beecham, a atual aia, mostrará o caminho. O jantar é servido para a família às sete. A governanta janta com os criados, a menos que seja convocada. Alguma pergunta?"

Margaret balançou a cabeça. "Nenhuma, Sua Graça."

"Então pode ir." Ele já se virava para a janela, e ela percebeu que a entrevista terminara. Não havia gentileza nem hostilidade, apenas um vazio de cortesia que a fazia sentir como um móvel necessário.

No corredor, a Srta. Beecham, uma mulher de meia-idade com rosto de maçã cozida, conduziu-a pelos lances de escada. "Não se ofenda com a frieza de Sua Graça. Desde que a duquesa faleceu, há três anos, ele não é o mesmo. E a pequena Lady Amelia, coitada, mal vê o tio. Ele a mantém no berçário com as aias. Não sei por quê."

Margaret seguiu em silêncio. Não era seu lugar perguntar, e a recomendação do Lorde Philip fora clara: mantenha os olhos no serviço e a boca fechada. Mas no fundo de seu peito, uma curiosidade teimosa se enroscou como hera.

Capítulo Dois

Na primeira semana, Margaret aprendeu o ritmo da casa. O duque, Simon Westbrook, raramente aparecia antes do meio-dia. Quando o fazia, era para se trancar na biblioteca com pilhas de papéis ou para cavalgar pelos campos em um cavalo preto que ninguém mais ousava montar. Os criados sussurravam que ele evitava a ala oeste, onde ficava o berçário, e Margaret notou que jamais perguntava pela sobrinha.

Lady Amelia tinha cinco anos, olhos cinzentos como os do tio e uma risada que ecoava vazia nos corredores. Margaret passava as manhãs com ela, ensinando-lhe as letras em cartões de veludo, e à tarde a levava para o jardim murado, onde a menina corria atrás de borboletas enquanto a governanta lia em voz alta.

"Por que meu tio não vem me ver?", perguntou Amelia um dia, sentada na grama com as pernas esticadas.

Margaret hesitou. "Sua Graça é muito ocupado."

"Mas o senhor Collingwood, o mordomo, disse que ele ficava horas comigo antes da mamãe morrer. Eu lembro de ele me balançar."

Margaret ajeitou a saia e sentou-se ao lado da menina. Não havia resposta que não fosse mentira ou deslealdade. "Talvez ele sinta saudades, e isso o deixe triste."

Amelia franziu a testa, uma expressão velha para um rosto tão pequeno. "Triste por quê? Eu estou aqui."

Aquela noite, Margaret desceu à cozinha para recolher o chá que a cozinheira sempre guardava para a governanta. A porta da biblioteca estava entreaberta, e uma luz de lamparina se derramava no corredor. Ela ouviu vozes.

"Simon, pelo amor de Deus, você não pode mantê-la escondida para sempre. A menina precisa de convívio, precisa de uma mãe. E você precisa de uma esposa antes que os credores apareçam na porta."

A voz de Lorde Philip, o irmão mais novo, tinha uma urgência que Margaret nunca ouvira.

"A quem eu me casar, Philip? A alguma herdeira de Lancashire que me olhará como se eu fosse uma conta a pagar? Amelia é tudo que tenho da irmã. Não vou entregá-la a uma estranha só para saldar dívidas."

"Então apresente-a à sociedade. Deixe-a sair do berçário. Já passaram três anos, e as pessoas começam a murmurar que você a esconde por vergonha, ou pior."

Houve um silêncio. Margaret prendeu a respiração, com a bandeja de chá equilibrada em uma mão.

"Vá para o inferno, Philip."

"Já estou, irmão. Vivo nesta casa com você."

Os passos se aproximaram da porta, e Margaret recuou, mas não a tempo. Lorde Philip saiu e quase esbarrou nela. Ele era mais baixo que o irmão, com o mesmo cabelo escuro e olhos mais quentes, que agora se arregalaram ao vê-la.

"Sra. Hale. Eu não a vi ali."

"Desculpe, milorde. Eu vinha buscar o chá."

Ele a observou com uma expressão que ela não soube decifrar. "Ouviu alguma coisa?"

Margaret manteve o rosto imóvel. "Ouvi apenas que o senhor estava saindo, milorde."

Philip abriu um sorriso irônico. "Governanta discreta. Era o que Simon precisava." Ele se inclinou levemente. "Cuide de Amelia. Ela é a única coisa que faz meu irmão ainda humano."

Na manhã seguinte, Margaret estava arrumando os livros no berçário quando a porta se abriu. O duque entrou como um vento frio, com um sobretudo ainda salpicado de gotas de chuva. Amelia estava sentada no tapete, montando um quebra-cabeça de madeira, e ao ver o tio, congelou.

"Tio Simon?"

O duque parou a dois passos dela. Seu rosto, sempre tão controlado, pareceu trincar por um instante. "Amelia." A voz saiu rouca. "Vim ver como estão suas lições."

Margaret observou da janela, fingindo ajustar as cortinas. O duque se ajoelhou com um movimento desajeitado, como se não se lembrasse de como se fazia, e tocou o cabelo da menina com a ponta dos dedos.

"Estou aprendendo as letras", disse Amelia, mostrando um cartão. "A Sra. Hale disse que quando eu souber todas, poderei ler histórias sozinha."

"Hum." Ele olhou para Margaret por cima do ombro. "A Sra. Hale é uma boa professora?"

A menina assentiu com força. "Ela me conta histórias de cavaleiros. Mas o senhor não fica para ouvir?"

O duque se levantou, e a mão caiu ao lado do corpo. "Tenho trabalho." Ele se virou para Margaret. "Sra. Hale, uma palavra."

No corredor, ele fechou a porta do berçário com cuidado. "Ela parece contente. Não sabia que era possível."

"Lady Amelia é uma criança alegre, Sua Graça. A alegria não precisa de permissão."

Ele a encarou com uma intensidade que a fez recuar meio passo. "Não se atreva a julgá-la. Eu a mantenho aqui por proteção."

"De quê, Sua Graça?"

"De mim", disse ele, e a palavra pairou no ar como uma confissão. Depois, sem esperar resposta, ele se foi.

Margaret ficou ali, ouvindo os passos se afastarem, e sentiu algo mudar no peito. Não era piedade, era algo mais perigoso: o reconhecimento de uma solidão igual à sua.

Capítulo Três

Capítulo Três Imagem gerada por IA (Cloudflare Workers AI)

As semanas se transformaram em dois meses, e Margaret começou a conhecer os cantos da casa como conhecia as rugas de suas próprias mãos. O duque aparecia no berçário com frequência irregular, algumas vezes por dia, outras por três dias seguidos. Sempre trazia um pretexto: verificar se a janela não estava com corrente de ar, perguntar sobre o apetite de Amelia, conferir os livros da estante. Mas Margaret percebeu que seus olhos, quando não estavam na sobrinha, pousavam nela.

Certa tarde, ele a encontrou sozinha na biblioteca, devolvendo um volume de poesia que pegara emprestado para ler à menina. A luz do fim do dia entrava em feixes oblíquos, e ele estava sentado na poltrona junto à lareira, sem fogo, com um copo de brandy na mão.

"Sra. Hale. Não a esperava aqui."

"Peço desculpas, Sua Graça. Vim devolver o livro."

Ele ergueu o copo. "Fique. Estou cansado de ouvir apenas meus próprios pensamentos."

Ela hesitou, mas sentou-se na cadeira oposta, com a espinha reta. O silêncio entre eles não era incômodo, mas tinha uma textura que Margaret não ousava nomear.

"Por que veio trabalhar aqui?", perguntou ele, quebrando o silêncio. "Uma mulher jovem, viúva, com boas recomendações. Poderia ter encontrado um posto mais acolhedor."

Margaret segurou as mãos no colo. "Meu marido morreu há três anos. Não tínhamos filhos, e a família dele não me acolheu. Precisava de um lugar onde meu passado não importasse."

"E importa?"

"Todos temos um passado, Sua Graça. A diferença é se sabemos guardá-lo."

Ele a olhou por cima da borda do copo. "Você é uma mulher estranha, Sra. Hale. Parece que está sempre a um passo de dizer o que pensa, mas nunca o faz."

"Não é meu lugar, Sua Graça."

"E se eu pedisse?"

A pergunta pairou. Margaret sentiu o calor subir ao rosto. "Se Sua Graça pedisse, talvez eu dissesse que ele passa tempo demais com o passado e de menos com o presente. Que Lady Amelia precisa não de proteção, mas de presença. E que o senhor, com todo o respeito, parece ter medo de ser feliz."

O duque não se moveu. Seus dedos tamborilaram no copo. "Você não sabe o que diz."

"Talvez não. Mas sei o que vejo."

Ele se levantou com um movimento brusco, e Margaret pensou que fosse embora. Mas ele veio até a cadeira dela, parou a um palmo de distância, e ela sentiu o cheiro de brandy e de chuva em seu casaco.

"Veja bem, Sra. Hale", disse ele, com a voz baixa e rouca. "Eu a contratei para cuidar de Amelia. Não para cuidar de mim."

Margaret ergueu o queixo. "E eu aceitei o posto para servir, não para temer. Se Sua Graça quer uma governanta que baixe os olhos e cale a boca, pode me despedir agora."

O silêncio se esticou. O coração de Margaret batia tão alto que ela temia que ele ouvisse. Mas então, algo se soltou no rosto do duque. Não um sorriso, mas uma trégua.

"Você é teimosa", disse ele.

"Pragmática, Sua Graça. São coisas diferentes."

Ele deu um passo para trás, e o ar entre eles se tornou respirável novamente. "Fique com Amelia. É o que ela precisa." E saiu, deixando Margaret com o livro apertado contra o peito e a certeza de que algo entre eles havia se deslocado para sempre.

Capítulo Quatro

Capítulo Quatro Imagem gerada por IA (Cloudflare Workers AI)

O baile anual de Wenlock Abbey era um evento que Margaret esperava evitar. Mas o duque, pressionado pelo irmão e por cartas de parentes distantes, finalmente cedeu: Amelia seria apresentada à sociedade, ainda que apenas por uma hora, para que os convidados vissem que a menina existia e era saudável.

Margaret passou a semana preparando o vestido da menina, ensaiando as reverências, explicando quem era cada convidado. No dia do baile, a casa ferveu com empregados extras, arranjos de flores e uma orquestra que ensaiava no salão.

O duque, de fraque preto e colete de seda, parecia mais distante do que nunca. Margaret o viu na escadaria, cumprimentando os primeiros convidados, e sentiu um aperto no peito. Ele não a olhou uma vez.

À noite, quando Amelia já havia sido levada de volta ao berçário e a festa estava em pleno andamento, Margaret desceu para verificar se a menina dormia. O corredor do terceiro andar estava vazio, e ela caminhava de volta ao seu quarto quando ouviu vozes abafadas vindo da sala de estar particular do duque, no fim do corredor.

A porta estava entreaberta, e ela viu Simon Westbrook de pé diante da lareira, com uma carta na mão. Lorde Philip estava encostado na parede, com uma expressão sombria.

"Não posso, Philip. A carta de Lady Thornton é clara. Ela exige que eu me case com a filha dela até o Natal, ou revela o segredo a todos os credores."

"Que segredo, Simon? Que você gastou metade da fortuna do ducado em tratamentos para sua irmã? Que Amelia não é sua sobrinha, mas sua filha, e você a escondeu para poupá-la do escândalo? Isso já não é novidade para ninguém que importa."

Margaret levou a mão à boca. Amelia era filha dele. Não da irmã falecida, mas dele. A revelação a atingiu como um golpe físico.

Philip continuou. "Lady Thornton quer casar a filha com você, e se você recusar, ela publica a verdade. Que você teve um caso com uma criada, que a menina nasceu fora do casamento, que você a criou como sobrinha para proteger o nome da família. A sociedade perdoa um duque por uma bastarda, mas não perdoa a mentira."

O duque riu, um som amargo. "Perdoam menos ainda um duque falido. Lady Thornton tem as dívidas. E a filha é uma herdeira."

"Então case-se. Por que está hesitando?"

"Não sei." A voz do duque baixou a um sussurro. "Há uma mulher, Philip. Uma mulher que me fez esquecer do dinheiro, do título, de tudo."

O coração de Margaret parou.

"Que mulher? Alguma dama da corte?"

"Não." O duque virou o rosto para a janela. "A governanta."

Margaret não ouviu o resto. Seus pés a levaram de volta ao corredor, de volta ao quarto, onde ela se sentou na cama com as mãos trêmulas. Ele a amava. E ele ia se casar com outra por dívida.

Na manhã seguinte, Margaret escreveu uma carta de demissão. Não podia ficar. Se ficasse, seria a amante de um homem casado, ou pior, testemunha de sua infelicidade. Entregou a carta ao mordomo e partiu antes do almoço, sem se despedir de Amelia, sem olhar para trás.

Capítulo Cinco

Chovia em Shrewsbury quando o duque de Wenlock encontrou Margaret na hospedaria onde ela se abrigara. A porta rangeu ao se abrir, e ele entrou com o sobretudo encharcado, os cabelos colados à testa.

"Sra. Hale."

Margaret se levantou da cadeira perto da lareira. O livro de poesia que levara consigo caiu no chão. "Sua Graça. Como soube que eu estava aqui?"

"Philip. Ele tem seus próprios informantes." O duque fechou a porta atrás de si. "Por que fugiu?"

"Eu não fugi. Pedi demissão."

Ele deu três passos em direção a ela. "Por quê?"

Margaret engoliu em seco. "Ouvi sua conversa. Sei que vai se casar. Sei que Amelia é sua filha. Sei o bastante para saber que meu lugar não é mais ali."

O duque riu, um som surdo. "Você não ouviu tudo, então." Ele se aproximou ainda mais, até que ela sentiu o frio do sobretudo molhado. "Lady Thornton recebeu uma carta minha hoje pela manhã. Recusei o casamento. E ofereci a ela o que restou de minhas terras no sul para quitar as dívidas. Ela aceitou."

Margaret piscou. "Mas o escândalo..."

"Já é escândalo. A diferença é que agora eu não me importo." Ele tocou o rosto dela com a mão molhada e fria. "A única coisa que me importa está aqui, nesta hospedaria, tentando fugir de mim."

"Simon." Era a primeira vez que ela dizia o nome dele.

"Amelia está bem. Perguntou por você esta manhã. Philip está cuidando dela. E eu passei seis horas cavalgando na chuva para encontrar uma governanta teimosa que partiu meu coração com uma carta."

Margaret sentiu as lágrimas queimarem seus olhos. "Não podia ficar. Ver você se casar com outra."

"E se eu não for me casar com outra? E se eu pedir a mão da governanta? E se eu quiser que ela seja duquesa?"

Ela balançou a cabeça. "Não posso. As pessoas falarão."

"As pessoas já falam. Falam que escondi uma filha, que menti por três anos, que sou um mau administrador e pior parente. Mas ninguém fala que sou feliz. Você pode mudar isso." Ele a segurou pelos ombros. "Margaret, eu não quero uma duquesa de sangue azul. Quero a mulher que ensina minha filha a ler poesia e que não tem medo de me dizer verdades."

Ela soltou o ar que não sabia que estava segurando. "E Amelia?"

"Amelia perguntou se você pode ser sua mãe. Eu disse que ia pedir." Ele sorriu, um sorriso cansado e verdadeiro. "Então, qual é sua resposta?"

Margaret levantou a mão e tocou o rosto dele, sentindo a pele gelada e áspera. "Minha resposta é que o senhor precisa de um banho quente e uma xícara de chá. Depois disso, podemos conversar."

Ele riu, puxou-a para um abraço molhado e frio, e Margaret enterrou o rosto em seu peito e ouviu o coração dele bater contra o dela, forte e vivo.

Três meses depois, na capela de Wenlock Abbey, Simon Westbrook e Margaret Hale trocaram votos diante de uma pequena plateia de criados, do irmão Philip, e de Amelia, que segurava um ramo de flores silvestres com as duas mãos. A chuva caía do lado de fora, mas dentro da capela havia uma luz dourada de velas e o som de uma risada de criança que ecoou até os vitrais.

A governanta se tornou duquesa, mas nas noites em que o duque chegava tarde, ela ainda o esperava na poltrona da biblioteca, com um livro e um olhar que não precisava de títulos.

Sobre esta história

Por que o duque escondeu Amelia como sobrinha em vez de assumir a paternidade desde o começo?

Porque ela nasceu de uma relação com uma criada que morreu no parto. Naquele meio, um duque solteiro com uma filha bastarda seria um escândalo que fecharia portas e arruinaria a reputação da menina. Ele acreditava que protegê-la como sobrinha, com a história da irmã falecida, era a única maneira de dar a ela uma vida sem mancha.

O que exatamente Margaret perdeu com a morte do marido que a torna tão cautelosa com Simon?

Perdeu o lar, o nome e a proteção. A família do marido a expulsou, e ela aprendeu que o afeto pode se transformar em frieza da noite para o dia. Por isso, quando sente algo por Simon, luta contra o medo de que a posição dela seja apenas temporária, uma tolerância que pode acabar assim que ele encontrar uma esposa adequada.

Como fica a relação de Amelia com a governanta depois que Margaret se torna duquesa e madrasta?

Amelia já a via como mãe muito antes do casamento. Margaret nunca substituiu a criada que a pariu, mas ocupou o lugar vazio que a menina carregava. A transição é suave para Amelia, que ganha não só uma mãe, mas a certeza de que o pai finalmente deixou o luto e a culpa para trás.